01/12/2008

Change we can (Mudança nós podemos)

No fundo do túnel começa a vislumbrar-se uma luz, cada vez mais forte que vai iluminando o panorama político nacional, e mesmo em Sesimbra, terra pródiga em fenómenos pouco prováveis, essa luz vai norteando as intervenções públicas.
Começa a ser cada vez mais claro o posicionamento das diversas forças políticas para as eleições autárquicas do próximo ano. Se Obama se transformou de candidato improvável em mais que provável vencedor, facto que acabou por se confirmar, sustentando-se numa máxima de mudança e de ruptura com políticas erradas, no nosso concelho as movimentações vão precisamente no sentido inverso àquilo que empolgou a América e uma boa parte do mundo:a mudança.
O Partido Comunista prepara-se para apostar nas mesmas figuras para continuar a liderar o concelho, mantendo as mesmas políticas de direita que tem, não só defendido mas também praticado/posto em prática, em boa parte sustentadas por parcerias público-privadas com o objectivo principal de enriquecer os privados ao mesmo tempo que se demite das suas responsabilidades reguladoras.
O acumular de capital gerado pelo crescimento acentuado das receitas da Câmara sustentado na manutenção de elevadas taxas de IMI, somadas à contracção de um empréstimo à banca, acrescidos dos fundos comunitários disponibilizados ao abrigo do novo quadro de apoio, permitiram a este executivo apresentar obra, boa ou má, mas isso é o que menos lhes importa. Com papas e bolos, tudo farão para enganar aqueles que ao longo do mandato foram tratando como tolos.
De tudo se tem visto no actual mandato comunista: Consultas públicas instrumentalizadas para refutar e rebater todas as opiniões contrárias e orçamentos participativos ao nível do porquinho mealheiro que apenas permitem aos munícipes discutirem tostões.
Sustenta-se o desenvolvimento turístico do concelho num dos maiores embustes imobiliários do nosso país, num momento em que a crise nesse sector conduziu a economia mundial ao descalabro. O projecto da Mata de Sesimbra é o exemplo acabado do capital fictício resultante da especulação pura, onde o promotor não pretende construir ou desenvolver o que quer que seja, mas sim apropriar-se de direitos construtivos transmitidos pela Câmara por decreto, alterando o uso dos solos. Este executivo, investigado pela Polícia Judiciária, precisamente no âmbito deste projecto da Mata de Sesimbra, pretende dar continuidade àquilo que vem fazendo ao longo deste mandato e que já fazia no anterior que não sendo seu em teoria era, de facto, seu na prática.

O PSD perfila-se como o fiel escudeiro destas políticas neo-liberais do Partido Comunista de Augusto Pólvora. O líder concelhio social-democrata, e provável candidato à Câmara, já veio a lume elogiar o actual executivo de maioria comunista pelo seu desempenho. Estão-se mesmo a pôr a jeito.
A que pode ambicionar mais um desmembrado PSD, onde os apoiantes da actual concelhia são quase tantos quantos os que repudiam esta ausência de opinião própria, senão a um belo lugar ao sol durante os próximos quatro anos? Que dizer então do PS, que parece não acordar do sonho que foram os oito anos em que estiveram à frente, ou acham que estiveram, dos destinos do concelho? O discurso da actual liderança socialista parece um permanente “deja vu” que tenta chamar a si as primeiras pedras das obras que Augusto Pólvora vai inaugurando. Este é hoje um partido desmembrado que nunca conseguiu descolar-se do paradigma de desenvolvimento até aqui preconizado e seguido pelo PCP. O PS, ontem como hoje, quer governar Sesimbra não por qualquer razão ideológica de princípio mas para fazer o mesmo que o PCP tem feito até hoje.

Para concretizar uma verdadeira mudança no rumo do concelho, é necessário congregar todos os que não se revejam nas políticas desenvolvidas no concelho de Sesimbra nos últimos anos. A candidatura do Bloco de Esquerda, por mim encabeçada no ano de 2005, deu início à construção de uma alternativa à governação do concelho desde 1974. Esse movimento engrossou, ganhou força e dimensão, tornou-se mais abrangente e consistente. E hoje estou convencido de que a forma de inverter o actual estado de coisas passa pela criação de um movimento social, o mais abrangente possível, com um conceito de desenvolvimento claro, assente numa base ideológica clara, mais próxima das pessoas e inversa na maioria dos conceitos à actual governação.

Texto publicado no Jornal Raio de Luz de Novembro de 2008

3 comentários:

JCM disse...

Salta-me uma duvida ao ler o seu texto, o que é uma governação numa "base ideologica" em termos praticos???
Que isso vai beneficiar os municipes, a classe operaria contra a exploração do patronato, no caso de Sesimbra, os pescadores contra o trabalho precario e rendimento "manipulado" pelos armadores?

Anónimo disse...

Não seja ingénuo JCM! Então o sr. não sabe (segundo se consta) que o Carlos também è armador.

Anónimo disse...

Sr jcm, o post diz "base ideologica clara". Não alterem o sentido das palavras, descontextualizando-as!